segunda-feira, 1 de julho de 2013

As ruas e as meninas superpoderosas


Elas não são a Florzinha, Lindinha e Docinho. Nem são chamadas por qualquer apelido no diminutivo. São muito mais do que três. São muitas. Nas últimas semanas tomaram às ruas de Porto Alegre e de várias cidades do país, muitas vezes à frente dos protestos por um transporte público de qualidade e pelo passe livre estudantil. Estiveram em reuniões organizativas, elaboraram cartazes, faixas, marcharam na linha de frente, a um só tempo destemidas e zelosas pela segurança de todos e todas que estavam no movimento.
Eram as jovens da UNE, da UEE Livre, da UJS, da Marcha Mundial das Mulheres, das centrais sindicais, do Levante Popular da Juventude, da Via Campesina, da UBM, do Movimento Negro Unificado, do Hip Hop,  da luta pela moradia. Protagonistas de seus movimentos, de suas lutas e suas vidas, essas jovens mulheres raramente estiveram a luz dos holofotes, nos closes fotográficos, nos destaques jornalísticos. A cara dos protestos ainda segue muito masculina, embora sua mola propulsora tenha uma força feminina significante.
Essa participação efetiva nos movimentos sociais também merece destaque na militância partidária. Nossas jovens mulheres não se intimidaram com o lema "sem partido". Estiveram presentes e não recuaram mesmo diante das agressões físicas. Apesar de não portarem bandeiras do partido, eram agredidas e oprimidas pelo simples reconhecimento de sua filiação partidária.
E aqui rendo meu mais profundo reconhecimento e homenagem às jovens mulheres petistas. Corajosas o suficiente para admitirem que muitas vezes foram às ruas temendo por sua segurança. Não tiveram medo de sentir medo. Estas jovens mulheres fortes, solidárias, conscientes de seu tempo e de sua história. Elas não são Florzinha, Lindinha e Docinho. São Íris, Juliana, Laura, Clarananda e muitas outras. Gurias que sonham, ousam e revolucionam.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Por que não o Araújo Vianna?



No domingo pela manhã, tive a oportunidade de apreciar o concerto da Banda Municipal de Porto Alegre , no chamado espaço Vonpar, Multipalco – Concha Acústica do Theatro São Pedro. Para quem não conhece ainda, trata-se de um pequeno anfiteatro ao ar livre. Foi um momento ímpar de curtir o sol de domingo ao som das composições de músicos brasileiros.

Naquele momento não pude deixar de pensar no desperdício que é o Auditório Araújo Vianna estar com suas portas fechadas há 5 anos. Veja bem, não são cinco meses, são 60 meses! Um belo espaço, no coração do Parque Farroupilha, com capacidade para 4,5 mil pessoas, completamente abandonado.

A tese para fechamento do Araújo era o risco de queda da estrutura. Repito aqui pergunta que ouvi do deputado estadual Raul Pont: por que não retiram a cobertura e liberam para uso imediato? Foi exatamente isso que lembrei no concerto de domingo. Ele poderia estar ocorrendo no meio da Redenção, com aquela excelente música atraindo centenas de pessoas para um Araújo Vianna ao ar livre. Sol, chimarrão e concerto com a Banda Municipal de Porto Alegre. Que bela combinação!

Se você é daqueles ou daquelas que leu e pensou: e se tivesse chovendo? Basta uma olhada na foto da década de 70, de uma assembléia do CPERS Sindicato, que transformou o Araújo num mar de sombrinhas guarda-chuvas. Quando se quer, se vai. Faça chuva, faça sol!

sábado, 5 de junho de 2010

Selvageria Sexual

É a cartola que chama para o artigo entitulado "Guerra contra as Mulheres", de Claudio César Dutra de Souza, publicado no Caderno Cultura da Zero Hora deste sábado, 05 de junho. O artigo trata do documentário de duas cineastas holandesas - Arma de Guerra, Confissões de Estupro no Congo - segundo a tradução.

De acordo com Souza, o documentário é uma sequência do "Combatendo o silêncio - Violência SExual contra as mulheres no Congo". Em ambos, a proposta é retratar a brutalidade dos estupros em massa que ocorrem no Congo desde a década de 1960.

A partir dos documentários, o artigo de Souza, que é Psicólogo Clínico e Mestrando em Sociologia na Universidade de Paris, faz um breve histórico de guerras em diferentes culturas e décadas. O resultado é sempre o mesmo: "as mulheres dos territórios conquistadoseram consideradas butins de guerra, logo, de livre uso pelos soldados triunfantes".

A artigo destaca, ainda, que em 2008, a a ONU reconheceu oficialmente que o estupro é uma arma de guerra. Todos os elementos apontados no artigo reforçam cada vez mais as campanhas feministas contra a guerra e a favor da desmilitarização.Nessas disputas, são as vidas das mulheres e das gerações futuras que estão ameaçadas, seja pela morte, seja por feridas que jamais cicatrizarão em suas almas.